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Breve histórico da ocupação da região do Córrego do Gregório
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Gregório era um posseiro que vivia às margens do córrego, na região situada mais ou menos entre a Rua Episcopal e a Avenida São Carlos, daí o nome do córrego chamar-se Córrego do Gregório.
Na ocasião da fundação da cidade, por determinação do Conde do Pinhal, essas terras precisavam ser desocupadas e o encarregado de retirar o posseiro foi Jesuíno de Arruda. A desocupação deu muito trabalho, pois Gregório tinha roças e exigia uma remuneração pelas benfeitorias.
Jesuíno de Arruda também era morador dessa região, sua casa era construída sobre palafitas e localizava-se no canto sudeste do mercado, onde hoje está sua estátua.
Ao contrário do que muitos pensam, a cidade de São Carlos não nasceu à margem do Córrego do Gregório, mas na região onde foi construída a primeira capela, hoje a Igreja Catedral. Na área diagonal à capela, o Conde do Pinhal ergueu seu casarão, onde atualmente é a sede da Prefeitura Municipal.
A cidade começou a crescer até a rua Major José Inácio, onde terminava a sesmaria do Pinhal, pertencente ao Conde, e iniciava a sesmaria do Monjolinho, cujo proprietário chama-se Alkimim. Quando Alkimim morreu, D. Alexandrina, sua esposa, doou uma parte da sesmaria do Monjolinho para a cidade, que então pode crescer para o norte, acima da rua Major José Inácio .
A urbanização em direção à área sul se deu com a vinda da Companhia Paulista de Estrada de Ferro. Na vila Prado foram construídas as primeiras casas onde moravam os ferroviários, e começou a crescer com as Industrias Pereira Lopes e com a construção da Igreja Santo Antônio, pois as capelas nucleavam aas antigas cidades.
* BRAGA, Cincinato César da Silva. Contribuição ao Estudo da História e Geografia da Cidade e Município de São Carlos. Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, Rio de Janeiro. p. 187.
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Entre Largo da Santa Cruz e Estação
No fundo dos vales, delineado pelos cursos dos córregos do Gregório (chamado nos primeiros documentos de "águas da servidão") e do Simeão (hoje totalmente canalizado, passando pela rua Episcopal), teve desde essa época o nome de "baixada". Nesse local foram erguidas as primeiras indústrias, quase artesanais, trazidas pelos imigrantes europeus, principalmente italianos, que ali fixaram residência. Essa região passou a ser denominada de "Piccola Calabria", por muitos deles serem originários do sul da Itália.
Rua Episcopal
Em 1o de janeiro de 1903 é entregue à população o primeiro pavilhão do Mercado. Na ocasião foi aberta a rua do Mercado (hoje rua Geminiano Costa), sendo o lado sul ocupado por pequenas casas de comércio. Em 1907 foi inaugurado o segundo pavilhão destinado a venda de frutas e hortaliças.
Rua José Bonifácio
Prédio da Escola de Primeiro Grau Eugênio Franco, construção iniciada em 1906. O edifício era destinado à "Escola Normal Complementar Conde do Pinhal", permaneceu alguns anos sem ser ocupado; em 1911 nesse prédio foi instalada a Escola Normal Secundário (atual Álvaro Guião), até a construção de seu prédio próprio na Avenida São Carlos.
Uma das primeiras indústrias de porte instalada em São Carlos - Fábrica de Tecidos Magdalena - inaugurada em 03 de fevereiro de 1911, de propriedade da Companhia Industrial de São Carlos. Onde ainda hoje é chamado de "Beco da Magdalena" (na rua Santa Cruz), a fábrica mantinha uma vila para abrigar seus funcionários. Em 1916 a Fábrica de Tecidos entrou em crise e foi absorvida pela Companhia Fiação e Tecidos São Carlos. Os paredões que ainda hoje existem na rua José Bonifácio são originais da época.
Em 1930 a Johann Faber, indústria alemã (primeira multinacional instalada em São Carlos), comprou a fábrica de lápis H. Fehr instalada na cidade desde 1926.
Rua Bento Carlos
Largo São Bendito - A Capela ainda conserva traços da época. Foi o local do primeiro cemitério entre 1856 e 1882. A igreja foi inaugurada, provavelmente, em 30 de junho de 1897.
Rua General Osório
Prédio que ainda conserva a construção original, entre as ruas Riachuelo e Visconde de Inhaúma - foi residência de Gabriel Gagliardi, comerciante italiano. Construída em 1895, a parte de baixo do sobrado servia para o armazém; as portas de madeira foram trabalhadas pelo artista Francisco Scalamandré.
Rua 9 de Julho
Hoje o prédio do CDCC. Abrigava a "Societá Dante Alighieri", fundada em 15 de setembro de 1902, inicialmente com um só pavimento. Após reformas em 1921 passou a ter dois andares (o segundo andar destinado a parte social da colônia italiana, com teatro e salão de festas), estas feitas pelo mestre construtor Felício Bertoldi. E em 1945 foi alugada para a instalação da Escola de Engenharia de São Carlos.
Cine São José - Atualmente a Lojas Colombini - parte de cima (próximo ao telhado) ainda conserva traços da época.
Rua Carlos Botelho
Onde hoje compreende parte da USP, era local do Posto Zootécnico (fundado, aproximadamente, em 1905). A grade que hoje adorna grande parte dos limites da USP na Rua Carlos Botelho, pertenceu a praça em frente a Catedral, que antes era toda cercada.
SESC - Primeira estação de tratamento de esgoto
Já em 1901 foi feito o projeto de tubulação de esgoto da cidade. O coletor principal seguia as margens esquerda do Gregório.
Na chácara conhecida como filtros, onde hoje é o atual SESC, foi construída a primeira e única estação de tratamento de esgoto, que funcionou de 1925 a 1930. Esta estação era composta por três tanques intercomunicantes construídos de alvenaria (20m x 20m, com 1m aproximadamente de profundidade). Entre um tanque e outro, haviam orifícios que eram fechados com pedras, que serviam de suporte para colônias de bactérias, de tal maneira que elas metabolizavam a matéria orgânica do esgoto, purificando a água, ao mesmo tempo que a superfície ampla permitia uma sedimentação dos resíduos insolúveis e o arejamento da água. A água saia do terceiro tanque relativamente limpa e era lançada no Córrego do Gregório.
Estação Ferroviária
As plantações de café da região estavam em pleno desenvolvimento e o preço desse produto no mercado externo alcançava cada vez mais resultados favoráveis. Era necessário que se apressasse a chegada do café dos fazendeiros sãocarlenses ao porto de Santos. A solução mais adequada para o momento era a ferrovia estender-se até a nossa região. Para os cafeicultores sãocarlenses, principalmente Antônio Carlos de Arruda Botelho - futuro Conde do Pinhal, era uma questão de sobrevivência que a ferrovia chegasse até São Carlos, prevendo que se isso não acontecesse a cidade ficaria à margem do progresso. Para os cafeicultores sãocarlenses era uma questão de sobrevivência que a ferrovia chegasse até São Carlos, prevendo que se isso não acontecesse a cidade ficaria à margem do progresso.
Em edição extraordinária a Câmara Municipal se reunia em março de 1876 para representar junto ao Imperador a conveniência do prolongamento dos trilhos de Rio Claro até São Carlos, dentro de um projeto de ligação com Mato Grosso, passando por Santana do Parnaíba. Os dirigentes da Companhia Paulista tinham a intenção de que a ferrovia passasse por grandes centros produtores de café: os vales do rio Tietê e do Mogi; as cidades de Jaú e Ribeirão Preto. Eram terrenos de acesso quase plano, facilitando a implantação da ferrovia, com menos custos e tendo prosseguimento para o interior. Ao passo que a cidade de São Carlos estava localizada na escarpa do planalto, de acesso difícil e também não existia interesse, por parte dos dirigentes da Companhia Paulista, em atingir o Mato Grosso, o que fazia dessa obra muito onerosa e sem interesse econômico.
Antônio Carlos de Arruda Botelho também tinha interesse pessoal que a ferrovia chegasse até São Carlos, por ser o principal produtor de café e possuidor grande extensão de terras nessa região. Assim sendo, sabendo que teria um grande lucro com o café e uma grande valorização de suas terras, empenhou-se nesse projeto de forma integral.
Com o ajuda em forma de capital de outros fazendeiros da região, amigos e homens influentes da época, Antonio Carlos de Arruda Botelho conseguiu constituir a Companhia de Estrada de Ferro de Rio Claro, cuja carta de concessão foi outorgada pelo Governo Imperial em 04 de outubro de 1880 e em 15 de outubro de 1884, a ferrovia chega oficialmente a São Carlos em grande festa.
"Era São Carlos saudando a chegada do progresso no século das luzes à terra de São Carlos Borromeu, graças, exclusivamente, à decisão e à capacidade de seus filhos." (2)
Vale ressaltar que o trajeto originalmente feito pela Companhia de Estrada de Ferro de Rio Claro passava por terras do tenente coronel Antonio Carlos de Arruda Botelho - Barão do Pinhal (título de nobreza concedido pelo Imperador em 1880). Esse empreendimento valeu ao então Barão do Pinhal e futuro Conde muito prestígio econômico e político.
Em meados de 1888, a Companhia Paulista mostrou interesse em adquirir a recém inaugurada linha, mas a proposta feita pela Companhia Rio Claro não foi aceita. No mês seguinte o Conde do Pinhal venderia a Companhia a um grupo de capitalistas ingleses e três anos depois a Companhia Paulista, reconhecendo seu erro, viria a comprar a Companhia Rio Claro dos ingleses por um preço muito maior do pedido pelo Conde do Pinhal.
A cafeicultura foi grande responsável pela urbanização da cidade de São Carlos e com a chegada da ferrovia essa urbanização se intensificou.
A ferrovia do complexo cafeeiro desempenhou papéis importantes: impulsionou a urbanização, possibilitou a viabilização e a ampliação da acumulação capitalista da região e do país. Isso torna-se evidente:"(...) pelas repercussões da implantação da ferrovia sobre a urbanização desse núcleo - contribuindo para a dinamização econômica da região e da cidade, facilitando o deslocamento populacional e gerando atividades urbanas dela decorrentes (...)". (3)
A localização da estrada de ferro no alto da terceira colina, levou até lá a urbanização. Estenderam-se até o pátio da estação as ruas General Osório, Bento Carlos (então Rua da Victória) e de Santa Cruz. Foram abertas simultaneamente as ruas paralelas à Rua S. Carlos: Conselheiro José Bonifácio, Aquidabam, Riachuelo e Visconde de Inhaúma.
Em 4 de outubro de 1880, o governo imperial autorizava a construção da companhia de estrada de ferro que ligaria São Carlos ao terminal da via férrea que chegava até rio Claro.
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Referências Bibliográficas
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(1) BRAGA, Cincinato César da Silva. Contribuição ao Estudo da História e Geografia da Cidade e Município de São Carlos. Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, Rio de Janeiro. p. 187.
(2)NEVES, Ary Pinto das. São Carlos - Na Esteira do Tempo.
(3)DEVESCOVI, Regina C. Balieiro. Urbanização e Acumulação - um estudo sobre a cidade de São Carlos. Arquivo de História Contemporânea - UFSCar. 1987. p. 36 e 37.
(4)BOSI, Ecléa. Memória e Sociedade: Lembranças de velhos. São Paulo, Companhia das Letras, 1995. p. 408.
(5)NOSELLA, Paolo & BUFFA, Ester. Escolástica ou Historicismo?. Texto apresentado na 18a. Reunião Anual da ANPEd, Caxambu, set. de 1995.
CRISTOFOLETTI, Antonio. Geomorfologia. Ed. Edgard Blucher. Rio Claro, 1974.
LEINZ, Viktor & AMARAL, Sérgio Estanislau do. Geologia Geral. Ed. Nacional. São Paulo, 1980.
SUGUIO, Kenitiro. Rochas Sedimentares. Ed Edgard Blucher. São Paulo, 1980.
MAURO, Claudio Antonio de. Laudos periciais em depredações ambientais. Rio Claro, 1997.
TROPPMAIR, Helmunt. Biogeografia e Meio Ambiente. Rio Claro, 1995.
Este breve relato foi desenvolvido por André Salvador, Alessandra Aparecida Viveiro, Cid Martioli, Ivan Gonçalves da Silva, Juliano Bello, Rita de Cássia de Almeida, Silvana Ap. de Souza e Silvia Ap. Martins dos Santos.
Para mais informações, visite http://www.cdcc.sc.usp.br/bio/Site/Excurs%E3o/Gregorio.htm#12
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